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Mulheres
e o Trabalho
A presença
das mulheres na economia vem crescendo e hoje, no Brasil,
somos um total de 41% da população economicamente ativa.
Ou seja, 31 milhões de trabalhadoras.
Somos maioria no setor de serviços, educação, indústria têxtil,
vestuário, calçados, indústria química e micro eletrônica.
Também estamos em maior número em atividades marcadas por
tarefas monótonas, repetitivas e de pouca criatividade,
onde o ritmo e a produtividade são impostos.
Desemprego
e trabalho vulnerável
A análise dos indicadores do
mercado de trabalho brasileiro evidencia que a situação é
extremamente desfavorável para ambos os sexos, mas revela
que a maior precariedade fica com as mulheres.
É muito maior o percentual de mulheres desempregadas: enquanto
17% dos homens se encontram nesta condição, 22 % das mulheres
estão desempregadas. Esta situação leva a vulnerabilidade
do trabalho, pois no mercado informal encontramos 42% das
mulheres e 31% dos homens.
As mulheres também se encontram
mais no trabalho doméstico, setor onde 16,9% das mulheres
trabalham contra apenas 0,8% dos homens.
As mulheres ainda são as mais
presentes nas estatísticas quando se fala em trabalho não
remunerado: 11,4 % das mulheres trabalham sem remuneração
contra 7% dos homens.
De 1985 a 1999, durante 14
anos as mulheres passaram de 33,42% para 41% em termos de
atuação no mercado de trabalho. Isto demonstra que a inserção
das mulheres cresceu mais que a dos homens. As mudanças ocorridas
neste mercado têm refletido no aumento da ocupação do setor
de serviços, onde estão colocadas as trabalhadoras domésticas
do serviço remunerado.
Estas são as mulheres com
menor escolaridade, sem experiência e migrantes da zona rural.
A presença da mulher no campo também
vem sendo reduzida. Apenas 19% das mulheres exercem atividades
na área rural contra 26% dos homens.
As mulheres
já são responsáveis economicamente por 26% dos domicílios,
conforme dados do IBGE, 1999. Ou seja ¼ das famílias dependem
exclusivamente dos rendimentos da mulher.
Disparidade
dos salários
Em 6 regiões metropolitanas
analisadas pelo DIEESE em 1999, os homens obtêm rendimento
médio anual 70% a mais do que os rendimentos auferidos pelas
mulheres. Na década de 70, as mulheres recebiam bem menos
do que os homens, tanto no setor público quanto no privado.
Mesmo passados quase trinta anos, esse quadro não variou muito.
Um diploma garante, de certa
forma, a melhoria dos rendimentos, só que com as mulheres
isto acontece com menos freqüência. No Brasil 28% das mulheres
possuem mais de 11 anos de escolaridade ( o equivalente ao
segundo grau) e somente 19,5% dos homens alcançam o mesmo
nível. Mesmo tendo um grau mais elevado de escolaridade continuam
ganhando menos que os homens, exercendo, muitas vezes, a mesma
função.
Outros pontos merecem ainda
atenção e destaque, como a globalização, hoje
considerada um dos mais graves problemas.
Ela atinge toda a sociedade e vem afetando trabalhadores e
trabalhadoras, promovendo o a miséria e a pobreza.
As políticas neoliberais do governo ocasionaram, entre outras
coisas, o aprofundamento da fome, o desemprego, a falta de
perspectiva e, com este projeto, a violência aumentou.
Mulheres
em cargos públicos
No Brasi,l 13% dos cargos governamentais
são ocupados por mulheres.
Das 513 cadeiras do Congresso
Nacional, apenas 29 eram ocupadas por mulheres. Nas últimas
eleições, o número de mulheres prefeitas aumentou 85% em relação
a eleição anterior, ganhando as prefeituras de 6 capitais.
Em 1985, apenas 17% dos aprovados
em concurso para juiz eram mulheres. Dez anos depois, a proporção
subiu para 29%.
Negociações
coletivas
A análise de 377 cláusulas
relacionadas à mulher em 89 acordos coletivos de trabalho
revela que 25% tratam de garantias à gestante, 60% sobre maternidade
e menos de 5% se referiam às questões de eqüidade de gênero.
Os sindicatos buscam ampliar
as condições de acesso e permanência da mulher no mercado
de trabalho através de campanhas que visam a implementação
de ações afirmativas nas empresas, que podem ser traduzidas
em cursos e treinamento direcionados a mulher trabalhadora
ou até mesmo incentivos tributários para a fixação de cotas
de gênero.
Ainda existem
práticas discriminatórias e anti-éticas que exigem exames
de gravidez e atestados de laqueadura em testes pré-admissionais.
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