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Mundo do Trabalho

18/10/2004 - 10:47:49
EMPREGOS SEM REGISTRO

Maioria dos novos empregos não tem registro
Pesquisa mostra que dois terços dos que conseguiram trabalho ganham até 3 mínimos

Mais da metade das pessoas que encontraram emprego na cidade de São Paulo este ano não tem carteira assinada. Além disso, 2 em cada 3 recém-empregados ganham até 3 salários mínimos, e a grande maioria tem medo de voltar a ficar desempregada. É o que mostra pesquisa divulgada ontem pelo secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, Márcio Pochmann. Dos 252 entrevistados entre 13 e 30 de setembro, 72,6% disseram ter mais medo de perder o emprego novamente do que de ganhar pouco ou trabalhar muito, respondendo a uma questão de múltipla escolha.

"Para o recém-empregado, não está claro ainda que a recuperação econômica é estável", diz Pochmann.

A segunda maior preocupação, assinalada por 25,4%, é com a falta de benefícios, como plano de saúde, vale transporte e vale refeição. Apenas 13,9% dos entrevistados voltaram a ter plano de saúde devido ao novo emprego.

A falta de benefícios e o medo da volta ao desemprego não são obras do acaso. A pesquisa mostra que só 49,2% dos entrevistados foram contratados com carteira assinada. "Os demais foram para postos de que não garantem acesso aos direitos sociais trabalhistas, como férias, 13.º salário e FGTS", observa Pochmann.

Mulheres, na faixa dos 18 aos 24 anos, com ensino médio completo, são as que têm mais chance de conseguir um novo emprego em São Paulo. Segundo a pesquisa, 63,1% das novas vagas foram preenchidas por mulheres, sendo que 40,5% dos recém-empregados concluíram o ensino médio.

A secretária Maria de Fátima Rodrigues, de 48 anos, conseguiu um emprego há duas semanas na Saveiros Seguros, na zona norte da cidade, depois de passar os últimos dois anos trabalhando informalmente. Embora não tenha concluído a faculdade de Psicologia, Maria de Fátima foi aprovada num processo seletivo que começou no sindicato da categoria. Ela fez até o terceiro ano de faculdade. "Voltar a ter a carteira assinada depois de tanto tempo é uma maravilha. Sem registro, a impressão que se tem é de não estar fazendo nada na vida", afirma.

De acordo com a pesquisa, 41,3% dos entrevistados ficaram desempregados por um período de até 6 meses. Para outros 23% esse período variou de 7 meses a um ano. Dentre os pesquisados, 11,1% ficaram entre 1 e 2 anos desocupados, enquanto 21% ficaram por mais de 2 anos. "Esses índices mostram que as pessoas que têm mais sucesso na procura por uma ocupação são as que estão desempregadas há menos tempo", diz o secretário.

A sondagem mostrou ainda a maioria das inserções no mercado de trabalho se dá pelas relações pessoais. Dos entrevistados, 52,8% encontraram emprego por indicação de amigos, enquanto outros 13,5% se valeram da ajuda de parentes, somando 66,3% nesse grupo. As agências de emprego funcionaram só para 7,1% dos entrevistados. Os recém-contratados aumentaram os gastos com alimentação e contas de água, telefone, luz e gás.

Fonte: Clipping CUT/PR


 

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